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sábado, 13 de dezembro de 2025

Retornos

Fui à Augusta comprar um presente de Natal. A loja não existe mais, não que não esteja mais no mesmo lugar: fechou. Busco no site. Até ontem recebia pedidos, estou 24h atrasada.

Como vinha de metrô, coloquei uma sandália nova. Não porque quisesse usa-la de fato, mas porque andaria pouco, sapato novo precisa amaciar. E nesse processo deixa marcas.

Ontem fui à academia. Depois de quase um mês, por uma conjunção de fatos como uma lesão no punho, duas viagens, receber amiga em casa, preguiça e volta ao trabalho pós férias caótica. Fiz perna. Diminuí a carga de todas as séries e não fiz os 30km habituais de bike depois. Não queria ficar dolorida. Fiquei.

Essa semana assisti "O Agente Secreto". Pela segunda vez. Gostei mais que da primeira. Durante os trailers passou o mesmo que havia passado da primeira vez que assiti, lembrei que tinha ficado interessada no filme, mas tinha esquecido completamente. Estando na Augusta, de caso pensado, me levei pro cinema. Após a tentativa de compra frustrada. Após a sandália já deixar marcas. 

Aguardando faltar 10min para o início da sessão para entrar na fila da pipoca que seria meu jantar, sentei desconfortavelmente no banco sem encosto e, com dores em diversos lugares, abri o livro que estava devorando mas está perto do fim. Leio um parágrafo que me comove. Faço uma foto, quero dividir isso com meu mundo. Estou editando para colocar na rede, afundada na minha tela. "Moça" Olho de canto de olho. "Moça" Parece que é comigo mesmo. "Eu vi que você estava lendo... eu trabalho na livraria do cinema... pode escolher" Um homem alto está quase dobrado pela metade para chegar com as mãos que carregam 3 marca-paginas na altura dos meus olhos. Escolho um sem prestar muita atenção. Tocada pelo gesto. Desconfiada: será que ele viu eu dobrando a pontinha da página quando encontrei a passagem que queria guardar comigo e por isso veio aqui? "Ah, obrigada" Respondo meio sem jeito pro moço que provavelmente não se lembre que no dia da greve de ônibus disse que "O filho de mil homens" tinha acabado, que há poucas horas tinha vendido o ultimo exemplar mas que em 2 dias já deveria receber mais. 

Eu tenho um problema sério com fins. Sofro para terminar séries que estou gostando. Deixo o ultimo episódio lá parado um tempo. Já aconteceu de ficar indisponível antes que eu tivesse coragem para finalizar. Com livros é pior. Como não tenho o costume de ler mais de um ao mesmo tempo (apesar de agora estar fazendo isso) quando algo bom se aproxima do fim, fico alguns dias sem ler. Gostaria de dizer que é inconsciente. Gostaria de dizer que só se aplica a livros e séries. 

Há 14 anos algo acabou. Pouco tempo depois de ter se transformado. Ainda não consigo escrever sobre isso, mas do jeito mais surreal, simples e verdadeiro um elo se refez. E por isso descobri que esse blog ainda existia. 

O filme termina. Eu não sei se gosto de filmes que deixam o final em aberto. Vou caminhando até o metrô devagar (sandália, pernas doloridas, nenhum lugar para estar). Ouvi recentemente um podcast onde a pessoa dizia que, após a aposentadoria, parou de correr para pegar o farol de pedestres aberto. Desde que ouvi isso, também tenho evitado. Me incomoda perceber que muitas vezes estou apenas esperando o que vem depois. Chegar em algum lugar, sair de algum lugar... tão pouco tempo para estar.

O período pós férias - quando é possível nas férias ter tempo para fazer as coisas com tempo - é cheio de incoerencias. Os prazos estão aí, tem coisas a fazer, muita coisa a procrastinar. Mas a proximidade com ter um tido um tempo realmente meu, me faz procrastinar sim, mas com coisas que realmente quero fazer. Tentar comprar presentes de Natal. Ver um filme iraniano sozinha no cinema num sábado a noite. 

Essa semana ouvi um podcast sobre silencio. Ela dizia que passou um dia sem ouvir podcasts ou música, ouvindo apenas o barulho da vida. Intencionalmente. Ao ouvir, dei uma resmungada interior. Como se estivesse me sentido julgada por passar tantas horas do meu dia com o fone martelando informações na minha cabeça para que eu não ouvisse minha própria voz. Hoje pela manhã ouvia um podcast enquanto tomava café, e percebi que não prestava atenção em absolutamente nada que estava sendo jogado para dentro dos meus ouvidos. Desliguei o fone e não coloquei mais durante todo o dia.

No metro, na volta, duas senhoras conversando sobre a ceia de Natal. Uma vai receber 27 pessoas (seriam 31, mas um sobrinho vai para África e um afilhado vai estar trabalhando, então as namoradas também não vão) e a outra vai receber 9 (seriam no máximo 10, pois a filha mais velha não vai). As duas querem fazer algo simples, pois estão cansadas de passar o dia todo cozinhando e depois não ter tempo de arrumar o cabelo para ir à igreja. 

Todos os vidros dos vagões estão completamente adesivados. Parece claustrofóbio, ainda mais com a sensação do infinito dos vagões sem separação. O tunel é fechado, mas o movimento tira a sensação de claustrofobia. Tem um moço muito alto. A pessoa mais alta ao lado dele fica um pouco mais baixa que o queixo  dele. Pelo menos não é alto o suficiente para ter que ficar curvado no metrô. Tiro uma foto. 

Saio do vagão e vou me dirigindo para a escada rolante. Mas todos estão desviando da escada. Desvio também. Era a saída, eu queria ir para a conexão, obrigada efeito manada. Tem um moço com uma placa: "fome". Eu não tenho dinheiro na bolsa. Nem comida. Será que deveria ter guardado quase metade do pacote de pipoca que sobrou? Eu costumava andar com algo para poder oferecer para pessoas nessa situação. Desde que me mudei para o centro não faço mais isso. São pessoas demais.

Minha cabeça está borbulhante. Uma vontade absurda de escrever. Escrever requer uma musculatura. Não apenas mental, mas física mesmo. Tudo que está na minha cabeça não consigo escrever à mão, sinto dores com menos de duas páginas escritas. Ganhei um caderno lindo, onde só quero escrever coisas bonitas. Até agora ele tem só uma frase "Ainda há tanto".

Notificação no celular, vejo mensagem no grupo de amigas, rolo um pouco o feed, meus pensamentos se acalmam e tenho medo de ser sugada novamente para a tela. Guardo o celular na bolsa. Toda vez que tento escrever algo no celular, tudo me parece tão... incompleto. Preciso de um notebook pessoal para fazer coisas pessoais. 

O livro que estou lendo é uma autobiografia de uma escritora uruguaia. Na adolescencia ela tinha uma fascinação por máquinas de escrever. Para ela, a máquina de escrever era uma impossibilidade, era cara e só se usava em ambientes comerciais e administrativos. Quando eu era adolescente eu também tinha essa fascinação. Para mim, era uma relíquia. Mas minha mãe tinha uma guardada, que havia sido aposentada após a chegada do computador no trabalho. Ainda acho que as melhores coisas que escrevi foram nessa máquina. A mãe dessa escritora também dizia que ela não deveria ser escritora. Mas ela foi. Ela é. Me pergunto como minha vida seria se eu tivesse tido a coragem que ela teve. Será que me lembrarei de tudo que tive vontade de escrever nessas ultimas horas? 

Ao chegar em casa sou recebida com sons gruturais de um gato que não quer comer nada dos 4 potes de ração espalhados pela cozinha. Abro a geladeira, sirvo ração pastosa. Ele não come. Misturo um pouco de água, ele parece se interessar mais. A outra gata aparece na porta, ela tem compulsão alimentar e dermatite, além de estar acima do peso - como diria o veterinário da cachorra da minha amiga, pelo menos sabemos que o animal não é roubado. Pego a cordinha para chamar atenção dela para que ela não perturbe o gato faminto e abaixo do peso, vou andando até o escritorio. Cordinha numa mão, notebook na outra. 

Sim, ao contrário do mercado livre, ainda tenho acesso à conta do blogger.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A ~elite acadêmica~ do país e violência contra a mulher

O texto abaixo foi enviado para  Escreva Lola Escreva, não sei se vai ser publicado por lá, mas resolvi postar aqui também.... Um exercício de coragem, por que não?

PS:Se alguém se sentir ofendido com a postagem, peço para me contatar e conversar... Vamos tentar não partir para as agressões pessoais...
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Estou longe de ser uma feminista. Recuso-me a me dar este título, pois não conheço a causa feminista. Não estudei a sua história. Até alguns dias atrás não sabia nem da existência desse blog que aborda esses temas; e não consegui parar de ler desde então.

Eu acabei conhecendo este blog através de uma situação pra lá de chata – pra dizer o mínimo. Uma amiga me chama no chat do Facebook para dizer que não sabia da posição “reaça” (cic) de um conhecido em comum. Segue imagem de toda a discussão que aconteceu (as cores representam as pessoas):


Para  visualizar melhor a imagem, abrir em uma nova aba e dar zoom

Segue um resumo do que aconteceu:

1) Mestre Verde posta uma tirinha sem graça nenhuma sobre violência doméstica

2) Doutoranda Amarelinha diz que a tirinha é uma generalização e mostra sua postura contra os comentários anteriores que assumem que recorrência da violência é culpa da mulher. Em uma tentativa de mostrar outro ponto de vista ao debate, ela se expõe contando que já foi quase agredida (se não tivesse se defendido).

3) Doutoranda Rosa pergunta à primeira se depois da quase agressão sua auto estima melhorou. – vamos parar por aqui.

Nesse momento eu tive que reler algumas vezes esse comentário para acreditar no que estava lendo. E mais ainda, me convencer de que alguém tinha sido capaz de fazer um comentário desses.

[Pausa] para meu relato pessoal: Eu já fui agredida. Eu não denunciei. Contei o ocorrido para pouquíssimas pessoas. Estou escrevendo sobre isso pela primeira vez. Eu não denunciei porque achava que não ia conseguir nada. Não tinha ficado com marcas, ele disse que eu que estava errada já que estava na casa dele, enfim... Para mim o assédio moral foi muito, mas muito mais dolorido do que a dor física de alguns apertões nos meus pulsos, braços e cintura. E foi medo de mais assédio moral que me impediu de denunciar. Covardia mesmo.

Se eu contasse isso para alguém e essa pessoa me perguntasse se minha autoestima tinha melhorado, no mínimo eu ia achar que a pessoa estava fazendo uma brincadeira para quebrar a tensão. Mas não. Não foi nada disso.

Acredito que só quem sofreu sabe o quando sua autoestima vai no chinelo depois de uma situação dessas. Acho que o que eu passei não foi grave, pelo menos não fisicamente. Mas mesmo assim eu sentia nojo de mim mesma... Eu sentia sua mão apertando meus pulsos, seus braços me prendendo enquanto eu chorava e tentava escapar mesmo dias depois. Eu me culpava por estar calada. Eu me culpava por ter deixado que isso acontecesse comigo. Na verdade ainda me culpo. Se estivesse vendo a situação de fora, saberia que a mulher não teve culpa nenhuma. Eu não sei explicar o porquê, mas eu me culpo por tudo o que aconteceu. Sou vaidosa e fiquei um tempo sem pintar as unhas, passar maquiagem... Eu só queria me esconder do mundo [/Pausa].

Esse simples post no Facebook escancara um milhão de verdades e questionamentos que merecem ser discutidas individualmente. Então, com o intuído de não alongar mais ainda meu texto, vou escrever alguns pensamentos que não saem da minha mente. E talvez deixar que alguém mais qualificado fale sobre esses assuntos.

• Eu acho extremamente curioso como a agressão nunca é representada em uma linda casa no campo com personagens de classe alta. Sempre é tratado como algo marginal. Sim, que acontece às margens da sociedade. Fui agredida em uma bela casa por um ~homem~ super bem vestido e educado. Em minha opinião isso ajuda a formar a imagem que as pessoas tem de que isso acontece pouco, com gente que “deixa”. Só do meu restrito círculo de amizades, três amigas confidenciaram ter passado por uma situação parecida.

• A força policial aparece como defensora que aparece sem ser chamada e resolve na hora. Alguém já viu alguma coisa assim? Ou será que tudo depende da coragem da mulher? Não só de denunciar, mas de aguardar com medo todo o inquérito? A humilhação das perguntas, desconfianças e exame de corpo de delito? O medo de ser agredida novamente assim que o sujeito descubra a denúncia? Ou vocês acham que tudo funciona como um episódio e Law & Order SVU onde tudo acontece na hora, o sujeito é detido e a vítima recebe proteção policial? Pfffff!

• Será que as pessoas acham que a dominação financeira e emocional da mulher pelo homem acabou quando ganhamos direito ao voto? Ou será que sabem que muitas mulheres temem por seus filhos, por passar fome, por não ter onde dormir?

• A parte que mais me enoja. Sim, é isso que sinto: nojo. Uma ~mulher~ coloca a culpa da agressão doméstica na mulher. Isso é o equivalente à culpar a mulher vítima de estupro por usar saia curta. Ou apontar a mulher que decide pelo aborto por não ter apoio governamental, familiar, educacional... Ou ainda culpar a menina por ‘se deixar’ ser explorada sexualmente pelos pais. Será que SEMPRE é culpa da mulher? Independente da situação ou contexto? Esse pensamento me enoja. Como disse para minha amiga, esse é o pensamento que pessoas que acham que matar todas as pessoas que cometem algum tipo de crime resolveria o país.

• A minha amiga é tomada como radical. Eu acho lindo isso. Se todos fossem radicalmente contra a violência acho que teríamos um país muito melhor.

Termino dizendo eu não quero ofender ninguém que publicou/comentou neste post. Eu e minha amiga só resolvemos publicar (escondendo os nomes, claro) porque estávamos com dor de estômago de não poder fazer nada. Ela também não denunciou a agressão. Talvez a “coragem” de mandar nossa indignação para o Lola - mesmo os envolvidos sendo nossos conhecidos – seja um grito silencioso sobre o que sofremos e como nos sentimos quando outras pessoas passam pelo mesmo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Gorda não é xingamento


Eu lembro até hoje...
Devia ser 3ª. Série ou por aí... Estudava no colégio Metodista, era hora do recreio, entrada ou saída... a cena se repetia em momentos diferentes do dia... eu correndo atrás dos meninos que gritavam “Gor-da, balei-a, saco de arei-a!”
Eu lembro que morria de vontade de chorar, mas fazia cara feia e dava uns socos nos meninos que eu conseguia pegar. Chorava antes de dormir. O ano seguinte eu passei todos os recreios na biblioteca fugindo de situações como essa.

Eu deveria ter uns 10 ~11 anos, no gramado clube que era sócia... Minha mãe passando filtro solar em mim e ao chegar na minha barriga meu pai solta “Vish... pra cobrir tudo isso aí precisa de pet dois litros...!” Algumas cenas semelhantes depois, eu nunca mais passei filtro solar na frente dele (ou de qualquer outra pessoa): ia até o banheiro fora do gramado e só passava filtro solar quando ninguém estava olhando.



Ensino médio, bat caverna (uma sala que ficava no meio dos laboratórios de mecatrônica) acho que era no 2º. Ano, 15 anos. Meninos tinham feito a eleição de meninas mais bonitas.... Eu entrei na lista, poucos votos, mas alguém tinha falado meu nome. Uma das meninas não entrou, ou ficou com menos votos, não lembro direito. Só lembro de estar chegando na sala e ouvir a frase “... feia e  gorda... só votam pq tem peito grande... além de tudo é caído” Sim, estavam falando de mim.

Acabou o colégio. 17 anos, com emprego de carteira assinada , comendo todo dia um lanche no ônibus pra dar tempo de chegar no cursinho e estudar para passar numa universidade, um namorado que eu amava. E que me dizia o quão gorda eu estava. Eu tenho 1,58 e na época tinha coisa de 57kg. Alguns meses depois eu parei de comer. Não, não digo que parei de comer besteira. Eu PAREI DE COMER. Ficava dias sem comer. Ia a pic nics gigantes... fazia lanches deliciosos... E não dava nenhuma mordida. Fiz a descida da serra a pé, e nesse final de semana a única coisa que comi foi um daqueles shakes para emagrecer. Cheguei a desmaiar em shows. Tomava uma caipirinha e cambaleava de bêbada e vomitava. Cheguei nos 52kg. Super decepcionada. Minha meta era chegar nos 49kg.

21 anos, faculdade, terminei o namoro. Estava feliz. Mas com 55kg me achava obesa. Só usava batas. Vestidos largos. E morria de vergonha. Biquíni nem em um milhão de anos.

Namorado novo, 22anos. Que não cansava de falar o quanto eu era gostosa. 59kg. Eu não acreditava muito. Mas depois comecei a acreditar. Amadureci um pouco, não ligava muito para o que eu outros diziam. Eu queria estar bem enquanto estivesse sendo reafirmada por ele. Crise no namoro (a distancia): ansiedade, comia por compensação, o dia inteiro. Gastava todo meu dinheiro com guloseimas. Mas fiquei mais de um ano (jun/2010 à ago/2011) sem me olhar no espelho ou subir em uma balança.

Acabou o namoro, me olhei no espelho e não reconheci. Subi na balança: 73kg. Fiquei pior ainda. Comia mais ainda. Comecei a fazer terapia, meu maior medo era a balança. Tentava dietas, não conseguia.

Saí da casa dos meus pais... Sem a pressão e o julgamento diário, me senti mais livre pra ter meus próprios pensamentos...E aí eu comecei a pensar... ler... tentar tirar esse véu de desaprovação que eu jogava em mim mesma -lógico que o antidepressivo ajuda bastante... Rs. Subi na balança: 76kg.
Comecei a me olhar mais no espelho. Não só olhar, mas espiar. Porque “olhar a gente olha mesmo quando não quer, espiar é aquele ato totalmente voluntário com objetivo de análise”[1]. Gostar das minhas curvas. Gostar de me apertar. Aos poucos e sem muita pressão, perdi o excesso de peso.  Mas como sempre na casa dos meus pais não havia elogios, o comentário é “você está emagrecendo demais.”. 67kg.

2012, competição no trabalho para ver quem perdia mais peso. Olha a pressão: antes mesmo de começar direito engordei 2kg. Pesagem oficial: 69,6kg. Dois meses de prazo. Não emagreci um grama. Ninguém falou mais nada. Não houve pesagem final ou me esqueceram. Mas não me importei muito com isso. Continuava cada vez mais, mais consciente. Tentando colocar na minha própria cabeça que eu não tinha que satisfazer ninguém com meu corpo. E para afirmar isso, depois de 23 anos usando longos cabelos; cortei. Na altura da orelha. A um passo do “joaozinho”. Ignorava os comentários de “seu cabelo era tão lindo...” e também os “nossa como ficou bom”. Não importava. Eu gostava. Me reconheci no espelho depois de muito tempo sem saber o que era isso. 

Na páscoa o Tutu (meu avô por parte de mãe) me diz “Emagreceu, cortou o cabelo... agora só falta arranjar um namorado” Eu respondi que não queria. E pela primeira vez na vida era verdade. Eu não precisava disso... Aos poucos eu tinha aprendido a gostar da minha própria companhia. Depois de meses morrendo de vergonha indo a restaurantes sozinha, hoje eu acho uma delícia faze-lo. Minhas noites depressivas sozinha em casa se tornaram uma oportunidade pra eu me curtir, ficar de pijama em casa... curtir meu gato, minha cama... e eu mesma. Duas semanas depois Tutu faleceu.

Greve na faculdade. Mudei de apto. Com tempo livre comecei a andar pra casa da estação... pensando na vida... cantando em voz alta. Perdi mais peso. E o que aconteceu foi que minha disposição só aumentava. Os três lances de escada que eram um sacrifício hoje eu subo saltitando. Minhas roupas mudaram. Uso roupas justas se me sinto bem. E não me importo com o que os outros pensam. Uso saias curtas pra sair se me da vontade, não me importo que achem minha perna gorda. Eu acho grossa. E adoro. 

Fui pro Rio. Usei biquíni. Andava de biquíni pela cidade. E quem não goste de ver minhas gorduras que olhe para o lado. Tirei foto de corpo inteiro (meu Deus, havia séculos que não fazia isso) DE BIQUINI! E ainda por cima coloquei no Facebook. Pra quem quiser ver. Vergonha do meu corpo? Hahahahaha...  O biquíni era lindo, e o sol estava uma delícia... É o retrato da minha viagem, e quem não gostar que não olhe.

É complicado como a “sociedade” faz com que a gente se sinta mal com a gente mesmo. Hoje eu sei que a sociedade não paga minhas contas. Hoje eu sei que um homem de verdade não se importa com uns quilos a mais. A melhor parte de emagrecer conscientemente foi poder dar pé na bunda de todos aqueles que nunca me olharam quando estava acima. Ou melhor ainda, daqueles que me desejavam qndo eu namorava e estava mais magra e quando fiquei solteira mais estava mais gorda subitamente perderam o interesse em mim e queriam ser “só amigos”.

Hoje eu tenho um homem maravilhoso na minha vida. E bem no começo eu lembro que ele gaguejou na hora de falar das minhas gorduras, e eu disse “Relaxa... pode falar... gorda não é xingamento. Eu sou gordinha sim... E não tenho problema nenhum com isso (olha o diminutivo pra ‘diminuir’ o teor ofensivo do termo – eu tenho muito o que aprender ainda)”. Realmente não tenho. Hoje me sinto bem com o espelho, comigo mesma e todos os meus 61kg. Eu deixo a luz acesa, eu NÃO TENHO PORQUE SENTIR VERGONHA. É o MEU corpo. Não vai ser igual ao das modelos. E nem quero: coisa chata ser igual a todo mundo! E quem estiver comigo vai ter que gostar de como eu gosto do meu corpo. Nem mais gorda, nem mais magra, nem com cabelo mais cumprido ou curto, fio dental ou calcinha bege, vai ter que gostar de mim assim: feliz.


E você que acha esse post um blablabla pra justificar minha ‘gordice’; guess what? I dont fucking care.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Love Songs

Eu, que sou uma pessoa extremamente musical, tenho o costume de colocar uma trilha sonora imaginaria em todos os momentos da minha vida. E isso é uma merda.
Porque tudo que estou passando na minha vida, penso em uma musica que eu goste que conte pelo menos um pouco da minha história.
O grande engano é atribuir música a pessoas.
Porque pessoas vão embora, as musicas ficam como lembranças. Muitas vezes amargas.
Você não quer mais pensar naquela pessoa, e como você sofreu ou foi feliz ao lado dela.
Simplesmente não quer!
Eu tentei evitar. Coloquei como trilha da minha ultima aventura pseudo-romântica uma musica ridícula que eu odiava.
Estava tudo bem. Até 5 minutos atrás. Lembrei que tinha outra musica envolvida na nossa história. Que acompanhou do começo ao fim, como pano de fundo.
Pronto.
Estraguei a merda da musica que eu tanto gostava

Vou enumerar algumas das músicas que hoje não posso ouvir sem sentir raiva. Não da pessoa, mas de lembrar da maldita quando ouço a música. As vezes eu quero só ouvir a música, sem lembrar de nada nem ninguém.

“Scar Tissue” – Red Hot Chilli Peppers
“Garotos” – Leoni
“Pra onde quer que eu vá” – Paralamas do Sucesso
“La bamba” ( Acreditem se quiser)
“O seu amor” - Chico Buarque  (Uma musica tão sensacional se perdeu assim)
“Veja bem, meu bem” -  Maria Rita
“Santa Chuva” -  Maria Rita, Camelo
“Meu Plano” – Daniella Mercury (Fossa é uma merda... olha as porcarias que ouço quanto ‘tô na fossa!!)
“Nem bem acordo” – Luiza Possi (Quando você acha que não pode piorar... rs)
“Quando o sono não chegar” – Cordel do Fogo Encantado
“Senhorita” – Zé Geraldo
“Vambora” – Adriana Calcanhoto
“Hole in my Soul” – Aerosmith
“Yesterday” – Beatles (Fuck...)
“I Wanna Hold Your Hand” – Beatles (Fuck²...)
“A Canção Tocou na Hora Errada” – Ana Carolina
E a última… “O Vento” – Los Hemanos


Com certeza tem mais... Mas essas são as que me ocorrem agora.
Beatles.
Se quer um conselho, nunca lembre de alguém por uma musica dos Beatles...
Me odeio muito por ter “gastado” essas duas músicas com pessoas que não valiam a pena....

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quase Ode

Tua presença mais prende que liberta
Quando estás longe, em pensamento.
Ao alcance de meus braços, te esquivas
E me clama com urgência

Teus olhos que não suportam fitar os meus - me intrigam
Quando achas que não estou olhando, espia
Teu riso fácil, tua boca seca
Tua pele quente, me queima ao deitar

Me dá as costas, largas
Mas no meio da noite vem tua mão na minha - carente
O sorriso me escapa ao lembrar de teus braços ao meu redor
"Aqui. Agora. Só mais um pouco. Não está bom?"
Está ótimo

E é por isso que preciso me libertar
Me acostumar a desacostumar
Passar minhas noites em paz - sozinha
Sem seus abraços, nada castos

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Lembranças

E depois de vários meses eu pensei novamente em você. Tudo por causa daquele maldito texto. Aquele texto sobre o grande amigo que nunca vai embora.

Eu acho engraçado quando ele fala “ah, enjoei, ela era meio sem assunto” e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo “ah, ele não entendeu nada” e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta.

E você foi e não voltou.
Ainda tento. Te ligo, te chamo, digo que estou com saudades. Mas sua nova namorada nos afastou e seu abraço não faz mais parte do meu dia.